sexta-feira, 5 de outubro de 2007

ALGUM LUGAR NO PASSADO?

Sábado 10 da manhã. Enquanto prepara o café da manhã, a dona de casa Marina, 57 anos, cantarola uma música da qual gosta muito. Trata-se de “Os Sete Cabeludos” de Roberto Carlos. A canção, do disco “Roberto Carlos canta para a juventude” é uma das preferidas dela. No entanto perguntada sobre as musicas mais recentes, Marília diz não conhecer muito. “Não gosto” diz.

Marina não está sozinha nessa preferência. Muitas fãs do rei da MPB afirmam não ter nada contra as canções mais recentes, porém, preferem as mais antigas.
Outra pessoa da mesma opinião é Luisa, , 55 anos. “Uns anos atrás até gravei um especial que passou na TV, mas foi pra registrar as músicas antigas”, diz ela que tem entre suas preferidas “Amor perfeito” e “Como é grande o meu amor por você”. Entre os discos preteridos por ambas está “Pra Sempre” o primeiro que Roberto gravou após a morte de sua esposa Maria Rita. “Tem clima de velório” - dispara Marina.

Diante dessa situação, faz-se uma pergunta: a veneração de muitas pessoas pelo que é antigo sobre valorizando – o é realmente pela sua qualidade superior ou trata-se de um saudosismo exagerado?
Da mesma forma encontramos José Renato Santana, 56 anos, profissional autônomo. Corintiano assumido, ele afirma não ter a mesma empolgação quando o assunto é Seleção Brasileira. “Mas o Brasil é pentacampeão mundial” – eu digo. E ele responde: “Não é a mesma coisa. Não dá pra comparar a seleção de hoje com a de 70. Antes, os caras tinham mais amor á camisa. Hoje rola muito dinheiro. Campeões ou não, eles terão seus altos salários garantidos. Uma prova disso é a vergonha da ultima Copa.” – conclui José, referindo – se ao desempenho do Brasil na partida contra a França na Copa da Alemanha.

A seleção brasileira de 1970 tinha craques como Pelé, Jairzinho (chamado de “furacão da Copa”), Carlos Aberto Torres e uma infinidade de jogadores que conquistaram o título e a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Comparável a ela, somente a equipe de 1982, que acabou não repetindo o feito do time comandado por Zagallo doze anos antes. “Mas os caras batiam um bolão” - lembra José.

Em contraponto (ou não) encontra – se no site de relacionamentos Orkut um exemplo de preservação da Memória e uma forma acessível de matar as saudades do que já passou. Na comunidade Mofo TV, pertencente á José Marques Neto, um fã incondicional de Televisão, os mais nostálgicos podem encontrar inúmeros vídeos dos mais variados assuntos. Esses vídeos (em sua maioria postada pelo próprio Neto, como é conhecido, a partir de seu acervo particular ou material cedido por terceiros) resgatam momentos há tempos esquecidos pelas emissoras de TV. No fórum de discussão encontra-se, por exemplo, um tópico inteiro com trechos de atrações de Programas de Silvio Santos, desde os mais recentes até aqueles exibidos quando o SBT sequer existia. Recentemente, Neto colocou neste tópico, o link de um vídeo postado por ele no site Youtube o qual exibia um trecho do programa “Qual á a Música” nos anos 80, mais exatamente do bloco final do programa numa apresentação do argentino Pablo, que na época dublava as músicas cantadas por homens. Exótico, ele era mais famoso que muitos artistas participantes da competição. Desde então Neto viu chover em sua caixa de e-mails e na Página de Recados do seu Perfil no Orkut infinitos pedidos de um vídeo semelhante com Virgínia, dubladora das vozes femininas no mesmo programa. O vídeo foi postado e Neto voltou a receber mensagens, desta vez em agradecimento.

Com saudosismo ou não essas pessoas são exceções em um País intitulado por muitos como “Sem Memória

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