CAZUZA SEM MEDO
O processo de concepção e gravação de um disco é sempre algo muito complicado. São meses de intenso trabalho e dedicação do artista e da produção e músicos. Dedicação é pouco quando o disco citado é “Burguesia”, ultimo trabalho de Cazuza. Já debilitado pelo vírus HIV, o roqueiro entrou em estúdio para gravar esse álbum duplo.
O LP (que na resmasterização saiu como um CD simples) começa com a agressiva faixa título. Aliás, esse é o tom da primeira parte do trabalho no qual se vêem presentes sempre temas como a morte, até mesmo nas faixas mais descontraídas como “Nabucodonosor”. As músicas mais animadas são bem agressivas e as mais lentas deprimidas demais. São poucas as faixas ensolaradas em que Cazuza passa algo de positivo. Isso acontece em “Eu quero alguém”, “Babylosnest”, “Mulher Sem Razão”, “Manhatã” e “Como já dizia Djavan”. Esta (que tem o subtítulo de dois homens apaixonados) mostra um Cazuza falando pela primeira vez de sua opção sexual mais claramente. E fala de uma forma iluminada, natural, sem estereótipos ou caricatura. E profetisa: “A ponte aérea, o barulho do mar/ E as estrelas ainda vão nos mostrar/ Que o amor não é inviável/ Num mundo inacreditável/ Dois homens apaixonados”. Uma prova de que Cazuza era um homem a frente de seu tempo.
Certa vez, Ângela Ro Ro perguntou para Cazuza como ele estava se sentindo. A resposta está em “Cobaias de Deus”, talvez a faixa mais melancólica do disco junto com “Quando eu estiver cantando”.
Outra coisa que se nota é o grande numero de músicas compostas por outras pessoas algo pouco recorrente na obra de Cazuza. É o caso de “Por um segundo” de Herbert Viana, por exemplo.
Vale a pena destaca ainda a belíssima “Azul e Amarelo” atribuída além de Cazuza, e Lobão á Cartola. Isso porque a letra possui um trecho de uma música do sambista.
“Burguesia” é um disco cheio de sensibilidade de alguém que deu tudo de si para realizá-lo.
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